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38 possibilidades de vida

38 possibilidades de vida

30 de Outubro, 2019

Não passo a ferro!

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São meses e meses que não passo a ferro, talvez tenha passado 1 ano, 2 anos, que tomei esta decisão. Deixei de passar a ferro e deixei de pagar para que mo façam. O impacto na minha sanidade mental foi relevante. Havia o cesto da roupa suja e havia o cesto da roupa para passar. O primeiro por vezes esvaziava por completo o segundo estava sempre cheio, e isso era angustiante. Talvez eu tivesse roupa a mais... e efectivamente tinha... de vestir, de cama, toalhas de banho, toalhas de mesa... por aí. Neste momento tenho um cesto de roupa disponivel para oferta, é grande, largo, da cor azul bebé e ofereço com todo o gosto a quem o quiser.

Dicas para deixar de passar a ferro

Na lavagem

- Separar roupa escura da roupa clara ou colorida. Roupa branca lavada com roupa escura fica encardida, um branco sujo horrivel, mesmo que a lavagem seja a frio.

- Usar temperaturas adequadas de acordo com os tecidos e cores.

- Usar detergentes à base de sabão e não de químicos, ajudam na longevidade da roupa.

- Fazer centrifugações mais curtas sempre que possível.

- Usar amaciador ou vinagre branco.

- Colocar peças finas separadas de peças pesadas tais como toalhas de banho e calças de ganga.

- Estender a roupa assim que acabe de lavar.

 

Antes da secagem

- Sacudir e esticar bem a roupa que vai para o estendal. Usar os dedos para tirar vincos e engelhas.

- Prender camisolas de manga comprida/curta de algodão pela extremidade inferior numa pequena dobra.

- Prender as calças pelas extremidades inferiores, o proprio peso ajuda a que fiquem menos engelhadas.

- Usar cabides para colocar as camisas e outras peças mais delicadas.

- Colocar as molas em locais que não sejam visiveis após secagem.

- Não deixar a roupa secar em demasia (no Verão é fácil acontecer).

 

Após secagem

- Sacudir a roupa muito bem e retirar vincos com os dedos, sacudir novamente.

- Se usou máquina de secar a roupa está naturalmente passada.

- Dobrar a roupa logo em seguida à retirada do estendal. Eu dobro na vertical, à maneira da Marie Kondo (https://konmari.com/

- Guardar nos locais respectivos.

 

Vantagens em não passar a ferro

Tempo.

Menos gastos energéticos.

Liberta-se um cesto de roupa e respectivo local onde é guardado.

Liberta-se um ferro e respectiva tábua de passar. No meu caso mantenho-o em casa para emergências que acontecem pontualmente (meia dúzia de vezes num ano).

Temos uma mulher ou homem mais felizes.

 

07 de Outubro, 2019

O meu banho é só água!

Após o sucesso com o water only nos cabelos, o passo até ao water only na pele teve a distância de uns meses. Constatei tal como no cabelo só vantagens, não encontro mesmo nenhuma desvantagem em lavar a minha pele só com água. A minha pele está suave e bonita. A sensação de liberdade é enorme. O único sabão que diariamente uso é apenas na higiene das mãos. E mais uma vez o ambiente agradece.

O microbioma humano

Há 3 anos atrás (antes desta decisão) eu "descobri" o microbioma humano. Sempre soube da existência de microrganismos no meu corpo, nunca pensei muito no assunto, e o que queria quando adoecia era livrar-me deles. Via os microrganismos como nocivos e uma espécie de roleta russa, podia apanhar ou não os mauzões, através do contacto com pessoas doentes, superfícies contaminadas etc. "Apanhaste um vírus", "apanhaste uma bactéria",  como se fosse uma coisa que estivesse ali de modo isolado e eu por grande azar tinha passado por lá e tinha-a apanhado. Hoje tenho consciência de que tudo, mesmo tudo, o que nos rodeia, incluindo o ar que respiramos está saturado destes seres, que vivem no planeta desde os primórdios e que contribuiram e contribuem para a nossa formação enquanto seres humanos. Vivem dentro das nossas células e ajudam-nos na metabolização da energia (a nossa mitocondria, outrora uma bactéria), vivem dentro do nosso intestino e "esculpem" o nosso corpo, influenciam as nossas emoções, vontade e os nossos pensamentos. São a primeira barreira imunitária no contacto com o mundo exterior, residem na pele, no sistema respiratório e no sistema digestivo. Surpreendente não é !? Maravilhoso também!  Quando percebemos isto, tudo muda, passamos a olhar o nosso microbioma como um parceiro e percebemos que cuidando dele deixamos de estar na roleta russa, passamos a ter um maior controlo sobre a nossa saúde.

Perceber que somos um ser vivo, que é habitado por um mundo invisivel microbiano, e não uma superfície de banca de cozinha ou lavatório de casa-de-banho, muda tudo. Superfícies não vivas devem ser lavadas profundamente, desinfetadas, esterilizadas (quando necessário). Um organismo vivo e complexo deve ser respeitado na sua natureza.

E as doenças? No inicio do século XX ainda se morria muito pela fraca higienização dos hospitais, e foi graças a mudanças a este nível que muitas doenças começaram a ser controladas, a par com a descobertada de penicilina que veio revolucionar o controlo sobre algumas doenças, na altura, mortais. Tudo isto é verdade, mas tudo isto é verdade até um certo limite, e o limite é a preservação do equlibrio do organismo. Os desinfetantes para a pele, os produtos de higiene pessoal à base de sulfato de lauril, os antibióticos de largo espetro usados recorrentemente, sempre com o intuito de limpar a superfície humana, interna e externa, de microorganismos, matando os mauzões mas também os nossos protetores, trouxeram problemas, mais ou menos percebidos pelas pessoas em geral. 

O water only na pele

O livro  o fascinante mundo da pele e os meus estudos sobre o microbioma humano conduziram-me ao water only na pele.  Apesar de, durante os últimos anos, optar por alternativas mais naturais continuava a ter algumas questões que me incomodavam.

A transição para o water only na pele foi gradual, durante uns 2 a 3 meses o meu banho era só de água em todas as partes do corpo "não problemáticas", as que eu duvidava da capacidade do meu corpo sobreviver (lei-se manter-se limpo e não cheirar mal) ao não uso do sabão. Durante este período constatei que a pele, lavada só com água, estava com aspecto saudável e não cheirava mal.Havia ainda uma questão que me incomodava e me deixava interrogações. Eu fazia a minha higiene intima uma vez ao dia e com um sabonete natural, porque razão por vezes sentia desconforto?

Foi quando li o livro O fascinante mundo da pele que obtive respostas. A autora é taxativa sobre o excesso de banhos que fazemos atualmente, com água demasiado quente e com prodtutos que não são mais do que detergentes na nossa pele. Relativamente aos produtos como sabonetes naturais eles são em teoria mais saudáveis, contudo são demasiado alcalinos e numa pele ligeiramente ácida isso não é benéfico, vai alterar o equlibrio da pele e trazer mais desconforto cutâneo. Ora era exatamente o que se passava com o sabonete que usava, alterava o PH da minha pele e provocava uma ligeira irritação local.

Esta autora fala de uma forma muito assertiva sobre os cuidados de higiene íntima, a água morna a ligeiramente quente é o suficiente e a melhor opção. Aliás ela refere mesmo que todos os resíduos orgânicos do corpo dissolvem-se em água e não é preciso mais do que isso para fazermos uma boa higiene. Cheiramos mal dos pés ou das axilas porque constantemente estamos a alterar o PH dessas zonas com produtos alcalinos e a consequência é uma maior necessidade de limpeza. Quanto mais nos lavamos mais cheiramos mal e mais precisamos de nos lavar.  A partir daqui, desta leitura do livro, foi experimentar. 

Comecei o meu banho integral de água em Junho de 2018 e nunca mais voltei atrás. 

Actualmente os cuidados de higiene pessoal que tenho são 2 banhos de água semanais, com uma temperatura adequada à época do ano, isto significa água da cabeça aos pés. No verão faço os banhos que me apetecer. Com as mãos, ou em alternativa uma esponja/toalha de banho, faço movimentos de lavagem por toda a pele, à semelhança de como fazia com sabonete/gel de banho. Depois seco-me com uma toalha. Nos dias em que não tomo banho lavo zona genital, axilas e pés também só com água morna a quente.

Produtos que uso após o banho

No corpo não uso nada, não preciso, a minha pele é extremamente hidratada. Sempre fui preguiçosa em aplicar cremes no corpo e por isso a transição para o wo na pele foi quase imediata, não senti a pele repuxar. A alimentação que faço, rica em gorduras boas, proteínas e pobre em Hidratos de Carbono e açúcares simples ajudam na tonicidade da minha pele. Aliás há 3,5 anos atrás quando mudei a minha alimentação, para a dieta paleolítica, foi a primeira grande alteração positiva que constatei, uma pele muito mais hidratada.

Aplico óleo de coco orgânico e integral sempre que sinto desconfortos na pele: os meus são por vezes comichão nos pés (uso e abuso de calçado sintético, sapatilhas), ou irritação na zona genital pós período menstrual, graças ao uso de absorventes sintéticos (algo que irei mudar entretanto).

O óleo de coco tem propriedades antifúngicas  e antibacterianas. É o unico óleo vegetal, com afinidade com a pele humana, não removendo os lípidos naturais da pele segundo o livro O fascinante mundo da pele.

O livro também refere que a aplicação de óleo vegetais diretos com o intuito de hidratação da pele não é eficaz, porque à exceção do óleo de coco, há uma remoção da camada lipídica natural da pele, prejudicando a hidratação da mesma. A autora é critica relativamente aos cremes que existem no mercado, nomeadamente os anti-rugas, referindo que o seu efeito é uma ilusão.

Em conclusão

Lavar o nosso corpo na íntegra só com água é possível e é necessário. Lavar as mãos com sabão, preferencialmente de PH neutro ou ligeiramente ácido é igualmente necessário, as mãos constituem um veículo de transmissão de doenças pelo que devem sempre ser bem lavadas várias vezes ao dia sempre que há manipulação de alimentos, contacto com crianças ou pessoas fragilizadas, na ida à casa-de-banho etc. O óleo de coco constitui um fabuloso aliado no tratamento da pele em geral e pequenas patologias.

São milhões de litros de água provenientes do nosso banho e lavagem do cabelo isentas de poluentes que devolvemos à natureza, a gratificação deste facto não tem medida. São milhares de milhões de microorganismos amigos que preservamos na nossa pele e couro cabeludo e que nos ajudam a combater outros tantos que não são amigos e que nos provocam doenças.

Que grande possibilidade de vida!!! Fazer um banho integral apenas com água!! Quantas mais possibilidades de vida existem que ainda estamos para descobrir?! Que mundo maravilhoso somos, que mudo maravilhoso habitamos?! Compreender que afinal somos mais autónomos do que nos contaram, abre a nossa mente para outras possibilidades.

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