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38 possibilidades de vida

38 possibilidades de vida

20 de Setembro, 2019

"Water Only" nos cabelos

Há maior satisfação do que isto, ganhar saúde, beleza e contribuir para um mundo melhor? 

Iniciei o WO nos cabelos em Dezembro de 2017. Resolvi assim do nada, apesar de o meu percurso por opções mais naturais tenha começado anos antes. Eu adoro novas possibilidades, com um cheirinho a rebeldia face ao satus quo, acima de tudo uma promessa de alternativa (saudável) ao convencional, bem assente em pesquisas, na maioria das vezes científicas, profissionais e testemunhos reais. A minha rebeldia é ponderada, reflectida e sempre com o fim de um ganho pessoal, humanitário ou ecológico. Neste caso eu esperava ganhar mais saúde e beleza e ao mesmo tempo fazer algo positivo em termos ecológicos (estava imbuída no espírito do livro Desperdício Zero). Adoro tudo o que é belo naturalmente, sem corantes nem conservantes, cada vez mais.

Cada um de nós tem na retina um registo do que é um cabelo bonito, na minha retina havia um cabelo solto e com volume, macio, e com uma ondulação natural que me deixasse orgulhosa. Na realidade o meu cabelo tinha uma ondulação na zona da franja que me irritava muito, tinha de esticá-lo com o secador e usar uma franja pequena e escadeada para tentar conviver o melhor possível com isso.

O WO transformou o meu cabelo no que eu sempre desejei, no fundo o registo que eu tinha e tenho do que é um cabelo bonito, e isso basta-me para estar satisfeita com o meu cabelo e sentir-me bem.

O fundamento do WO é simples de compreender, o cabelo e couro cabeludo são um órgão, integram a pele do corpo humano, como tal têm uma flora de microorganismos residente que constitui a primeira barreira imunitária e esta, sendo saudável, contribui para a saúde e beleza da pele (cabelo e couro cabeludo). Neste sentido, quando lavamos o cabelo com champô convencional, cujo principal ingrediente é sulfato de lauril, estamos a remover toda esta barreira de microorganismos. O sulfato, um autêntico detergente, é mesmo muito eficaz e remove tudo, sujidade e patogénicos mas também as coisas boas, lípidos naturais e microorganismos residentes. Após esta remoção ficamos com o cabelo à mercê de tudo, sem a sua barreira protectora. Se juntarmos, a esta agressão externa, um organismo em estado inflamatório ou mal nutrido, aparecerão problemas tais como eczemas, caspa, secura ou oleosidade excessiva, psoríase etc.

Nas minhas interrogações sobre o WO encontrei um livro bastante interessante, "O Fascinante Mundo da Pele"  cuja autora é a dermatologista Yael Adler. Esta médica alerta para o uso de agentes de limpeza inadequados na nossa pele, e assegura que a água morna e ligeiramente quente dissolve todos os resíduos naturais do corpo, sendo o sebo, a gordura presente na pele, a sua hidratação natural, não havendo qualquer agente externo, de hidratação, que faça um trabalho melhor.

O meu WO é simples, trata-se de lavar, massajar, o cabelo e couro cabeludo, só com água. Usar água morna ou ligeiramente quente para dissolver a sujidade e promover a distribuição do sebo do couro cabeludo até às pontas. Costumo escovar o cabelo antes de lavar e durante a lavagem, também para isso mesmo, limpeza e distribuição do sebo. No fim uma chuveirada de água mais morna (no inverno) ou fria (no verão), dependendo da tolerância ao frio e da estação do ano. A água mais fria no final deixa o cabelo mais brilhante e solto, porque fecha a cutícula do cabelo. A secagem é de acordo com a necessidade, no Inverno uso secador, no Verão deixo secar ao ar. Lavo 1 a 2 vezes por semana, se estiver bonito e limpo 1 é suficiente.

A camada hidrolipídica que protege o cabelo (a pele e a unha) tem pH levemente ácido, um valor compreendido entre 4,2 e 5,8 na escala de pH, cuja função é impedir a proliferação de fungos e bactérias no couro cabeludo, evitando irritações. Fios com pH neste grau são saudáveis e tem as cutículas fechadas.

No WO o investimento numa boa água é tudo, a água pura é o champô, o amaciador, a máscara, o sérum de pontas, e por aí fora...

A camada hidrolipídica que protege o cabelo (a pele e a unha) tem pH levemente ácido, um valor compreendido entre 4,2 e 5,8 na escala de pH, cuja função é impedir a proliferação de fungos e bactérias no couro cabeludo, evitando irritações. Fios com pH neste grau são saudáveis e tem as cutículas fechadas.

O cabelo e couro cabeludo beneficiam se forem lavados com água de PH neutro ou ligeiramente ácido e de dureza baixa designadas por macias (as águas duras têm um PH alcalino). 

A água deve ser de baixa dureza, quando tem muitos minerais o cabelo fica mais áspero,  baço, menos solto e com resíduos que serão uma mistura de sebo (lípidos naturais) mal distribuido com os minerais da água. Nos últimos tempos depois do meu post de Agosto,1 ano e meio sem usar champô a água fornecida (alguns dias na semana) pela rede pública da zona onde vivo passou a ser mais dura e deparei-me com este problema, nas férias no Algarve também detetei isso. A água dura inibe a reação do sabão, por isso facilmente se detecta nas lavagens de roupa, louça e higiene geral. Se os agentes de limpeza forem sulfato de lauril ou outro quimico isso não irá acontecer.

A solução que encontrei no curo prazo foi atestar alguns garrafões de água de baixa dureza, nos dias em que a rede pública de fornecimento muda, que uso na lavagem do cabelo e pele do rosto. As águas compradas, destilada, mineral de PH ligeiramente ácido são outra alternativa, ou colocar um filtro anti-calcário (que poderá ser uma solução futura para mim). Há também soluções caseiras como adicionar vinagre (de maçã ou cidra) à água de lavagem, que vai neutralizar a dureza da água ajudando na limpeza dos fios, fecho da cutícula, distribuição do sebo, com um resultado bastante bom na saúde e beleza do cabelo.  

A minha transição para o WO durou na minha perceção uns 5  a 6 meses. 

Recordo-me que foi em Junho de 2018 que após a lavagem e secagem do meu cabelo fiquei estupefacta ao olhar-me ao espelho e ver um cabelo muito solto, frisado, de aspecto um pouco rebelde e ao mesmo tempo muito macio ao toque e com brilho. Eu nem queria acreditar no que via. Eu tinha lido testemunhos muito positivos sobre o resultado, recordo-me também de um artigo online de um jornal nacional sobre uma mulher que só lavava o cabelo com água há alguns anos. Mas nunca imaginei o que seria o meu cabelo livre de quimicos ou champôs naturais. Foi e ainda é para mim surpreendente, positivamente surpreendente.

Os meses de transição foram caracterizados por fases melhores e outras piores. Agora sei que a escovagem, que muitas vezes não fazia, poderia ter ajudado mais na transição, e que por ter coincidido com os meses de inverno, e eu gostar de água quentinha, isso ter adiado a transição. Sei hoje também que tive sorte quanto à qualidade da água onde vivia na altura, se fosse dura teria logo desistido.

 

Em conclusão

Fazer WO nos cabelos foi impactante para a saúde do meu cabelo e couro cabeludo, sei e sinto que estão mais saudáveis. Tinha um eczema na zona occipital que apesar de tratado naturalmente, e sobre isso irei falar num próximo post, reaparecia em alturas em que estava mais stressada, e deixou simplesmente de aparecer no último ano. Esteticamente o meu cabelo é para mim maravilhoso. Os meus cuidados são simplesmente água, de boa qualidade, e um pente de dentes largos, um corte pelo menos 2 vezes por ano num cabeleireiro. A nível ambiental o impacto do WO é zero, claro que gasto água, mas a água retorna ao seu ciclo natural sem qualquer agente poluidor. 

Há tantas possibilidades de fazer diferente, viver de forma diferente e ao mesmo tempo com uma satisfação muito maior. Só temos de nos abrir a OUTRAS POSSIBILIDADES de Vida :).

Wateronly cabelos.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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